ANJO AZUL

O conhecimento é poder. Utilize parte do seu tempo para educar alguém sobre o autismo. Não precisamos de defensores. Necessitamos de educadores.

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Em um pequeno município de São Paulo encontra-se mais uma família. Esta, porém, responsável por uma batalha diária com a vida, o tempo e a sociedade. Mailian Moreira, 35, é filha, esposa e mãe. Junto de seus pais e esposo se dedica completamente ao filho Leonardo Moreira, 8, portador do Transtorno Espectro Autista. Acompanhado pelo psiquiatra Leonardo Maranhão e uma equipe de equoterapia (tratamento com cavalos), atualmente a criança já consegue interagir e se comunicar com mais facilidade. As Perturbações do TEA (Transtornos do Espectro Autista) caracterizam-se pela presença de um desenvolvimento acentuadamente atípico na interação social e comunicação.

O autismo, do grego autos, que significa ele mesmo, é uma condição permanente, a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo. Mas isso não o diminui diante de outras pessoas, afinal o autista possui habilidades destacáveis principalmente em prol da arte, como é o caso dos estudos visuais, matemáticos, artísticos e musicais. O problema em questão, porém, limita a pessoa quanto ao desenvolvimento que direciona a interação social. A criança autista se delimita a comportamentos repetitivos e restritos, inclusive, se instala nos três primeiros anos de vida, quando os neurônios que coordenam a comunicação e comportamentos sociais não formam suas conexões por completo.

Uma das áreas mais prejudicadas é o processamento de informações visuais. Portadores do TEA tendem a possuir limitações quanto a esse contato, evitando ao máximo olhar no olho de outra pessoa. Segundo especialistas, essa limitação ocorre por conta da visão de uma criança autista acompanhar diversos movimentos, assim, não conseguindo se concentrar em um único momento. “Durante a minha carreira, já atendi pelo menos 500 crianças com o TEA. É fantástico ver a evolução daquelas que não fala, interage e chega gritando na primeira consulta, assim como é indescritível ver o brilho no rosto dos pais quando a interação com eles ganha outra dimensão”, disse Leonardo Maranhão, 44, psiquiatra que acompanha Leonardo Moreira desde seu diagnóstico, aos cinco anos. Como citado pelo doutor, a criança autista sem o mínimo acompanhamento tende a ser bastante agitada, o que desperta a curiosidade em pessoas que desconhece o TEA.

Não é fácil falar sobre o autismo. Assim como também não é fácil identificar uma criança autista. Longe da realidade de Mailian e sua família, está Idiamara, 25, também filha, esposa e mãe, porém desconhecedora do que é o Transtorno do Espectro Autista. “É difícil identificar uma criança autista. O autismo é um problema sem face, não existe algo aparente, como a Síndrome de Down, por exemplo”,comparou Idiamara. Muitos pensam assim. Mas não podemos julgá-los quando o assunto ainda não desperta o merecido interesse até mesmo em doutores e profissionais da saúde de modo geral. “A necessidade de conhecer melhor o autismo revelou-se ainda mais intensa depois que me tornei pai. Com o nascimento do terceiro, percebi que o seu desenvolvimento, nos primeiros seis meses, era diferente. Foi quando mergulhei no estudo do termo Transtorno do Espectro Autista, algo que era apenas uma hipótese inicial, mas que poderia levar a um diagnóstico. Antes de entender o transtorno, o tema já me trazia angústia”, desabafou Leonardo Maranhão, mostrando seu lado paternal.

De acordo com o Dr. Leonardo, “Os pais de uma criança autista tendem a viver enclausurados. Eles não saem de casa porque não sabem como o filho vai reagir em público, se ele vai ficar bem ou não”, e é exatamente assim que Maria Inês, 62, se sentia antes de descobrir o transtorno do neto Leonardo, que até então era nervoso, não parava quieto. “Quando íamos ao shopping tínhamos que ficar correndo atrás dele. Raramente comprávamos algo. Ele não sossegava, precisávamos voltar rápido para casa”, comentou a avó, que ao relembrar os momentos já vividos se emocionou e ressaltou “Apesar de tudo, Leonardo é uma benção em minha vida!”.

Aos oito anos de idade, Leo, como pediu para ser chamado, leva uma vida normal como a de qualquer criança de sua idade. Na escola, é um dos cinco alunos exemplares da classe. Briza Gomes, 38, educadora infantil, alega que o tratamento e grau do problema fazem total diferença no desenvolvimento escolar da criança. “Já tive dois alunos autistas. Eles costumam ser muito espertos, porém agitados e nervosos. Um deles possuía o grau leve, em pouco tempo consegui ensiná-lo a ficar em fila com os colegas, coisa que no inicio era impossível. Com outro era diferente, o grau elevado e a ausência do tratamento faziam toda a diferença. Ele era muito nervoso, se mordia sempre que contrariado”, lembra a professora. Segundo Juraci, 39, pai de Leonardo, “A inteligência dele é admirável. Em uma sala com diversas crianças ele se destaca com a facilidade para aprender”.

De fato, ele é uma criança bastante inteligente e, graças ao acompanhamento médico, sociável. Autistas possuem grande dificuldade em relacionar-se com pessoas de fora do seu convívio diário, o que surpreendeu e emocionou sua mãe e a mim quando durante a entrevista o mesmo saiu de seu quarto e me convidou para jogar vídeo game. Ali, naquele instante, mais uma conquista era somada na vida da família. Aceitei seu convite. Passamos a tarde jogando e conversando sobre jogos, escola e a vida. Sábio, o menino comentou em êxtase “Gosto muito da minha equoterapia. Lá tem vários cavalos” e quando questionado sobre os animais, deixou clara sua preferência por dois “Meus favoritos são Pajé e Rabino, eu adoro eles”.

Mas ingressar na equoterapia exigiu muita força de vontade dos pais. “Passamos com diversos profissionais para, através disso, indicarem qual o cavalo certo para o tratamento”, lembra Mailian, mãe de Leonardo Moreira. “É um excelente tratamento, porém muito caro. Aguardamos um ano para conseguir na rede pública” completou.

Se tratando do autismo em relação à sociedade, um grande passo foi dado em 2012 quando a Lei Federal 12.764, conhecida também como Lei Berenice Piana, responsável por instituir a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabelecer diretrizes para sua consecução, foi aprovada. Muitos direitos foram concedidos, mas ainda são muitas as mudanças necessárias. Apesar de a lei estar em vigor desde 2013, a inclusão de um autista se mostra ainda muito preocupante. Para isso existe o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado no dia 2 de abril, data escolhida para esclarecer sobre a doença e diminuir o preconceito em relação ao tema. O assunto é delicado e complexo, requer mais atenção por parte da população e, principalmente, saúde mundial.

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Entrevista:  Drielly Peniche, 08 de Junho de 2017

 

Comentários   

0 #1 Janaína 08-07-2018 00:51
Eu por.minha vez optei em.nao nos enclausurar, eehije vejo que fiz a escolha mais difícil é acertada! Augusto se enguadra no aspecto autista leve, quase a imperceptível, porém exige atenção, acomodamento e amor muito amor . A família companheira é a base de grandes resultados e acima de tudo Deus
Arrasou de novo Drielly.
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